Monday, August 25, 2008

Os Espectáculos que vi em Edimburgo em 2008

Visto que todos o fazem, resolvi também dar a minha opinião em relação aos espectáculos que vi em Edimburgo, este ano. Ainda faltam alguns, assim que tiver tempo acrescento à lista.
A minha votação:
xxxxx - Excelente : xxxx - Muito Bom : xxx - Bom : xx - Adequado : x - Mau


Tim Minchin " Ready For This?" - xxxxx
Um comediante que entretém a vários níveis. O seu espectáculo junta comédia física, uma excelente habilidade verbal e a sua capacidade musical, transmitindo várias das suas ideias e obsessões. Um espectáculo hilariante, que não se pode perder.

Pajama Men " Versus vs versus" - xxxx
Uma peça romântica e misteriosa, carregada de comédia. Os dois actores desempenham vários personagens, novos e velhos. Aparentemente as histórias não têm nada a ver umas com as outras mas no final encontram-se e tem um desenrolar imprevisível. É um humor um pouco fora, mas muito bem representado…vale a pena ver.

Jim Rose Circus - x
Um sideshow, mas muito mal feito. O Jim Rose foi famoso nos anos 90, mas o seu período já passou, este espectáculo mostra a sua decadência e incapacidade de realizar algo de mais actual. O tema do show era ultrapassado, a vontade de pertencer ao inferno já era. Os artistas tinham pouca qualidade … bom não vale mesmo a pena, ele apenas utilizou o seu nome para conseguir público, o que me enganou a mim também.
The Gymnast - xxx
Uma história sobre o Camboja em 1975, mostrando a nossa percepção e o que realmente se passava por lá. Ela representava muito bem, mas acho que a história estava um pouco esticada.

The six wives of Timothy Leary - xxx
A peça passa-se entre os anos 60 e os 90, durante esse periodo, Leary casou-se com estas seis mulheres (não ao mesmo tempo) e que depois da sua morte contam como era a sua relação com ele.
É a história de cada uma das suas mulheres através da sua própria visão do mundo.
Tem momentos muito engraçados e com boas actrizes.

The art of dating and dumping
- xxx
Fantástico, uma comédia ligeira, realizada em modo de workshop. Como o próprio título sugere, mostra os erros e a técnica de flirtar/namorar e de acabar com a relação, utilizando dois actores para essa função. Funciona muito bem e os actores foram fantásticos.

Gamarjobat "The Western" - xxx
Um espectáculo de comédia, teatro físico. A primeira parte tem imenso ritmo, mas a segunda perde bastante. É uma história de cowboys, mas algumas partes podiam ser melhoradas ou mesmo retiradas do repertório.
O espectáculo valeu pelos actores que eram excepcionais, mesmo fazendo truques básicos criaram personagens que deram vida a todo o espectáculo. Dei umas boas gargalhadas.

Debhora Francês-White’s "How to get almost anybody to bed" - xxx
Uma espécie de palestra indicando os comportamentos comuns de indivíduos em situações de engate e a forma de corrigi-los.
É extremamente divertido, passa-se uma boa tarde na companhia desta comediante muito talentosa.

The Wau-Wau sisters ‘ After Party’ - xxx
Artistas americanas criaram um espectáculo de comédia acompanhada de músicas originais e tendo um convidado para ajudar na variedade, neste caso foi o Magic Brain – performer também americano e a sua categoria é a magia. O espectáculo é muito divertido, um pouco fora. O Brain fez uma rotina muito engraçada, com um hula hup, como sempre magia com comédia.

Richard Herring "The Headmaster’s son" - xxxxx
Um comediante que faz uma mistura de stand-up com contador de histórias. Fala sobre a sua infância e a causa da sua vida ter seguido a direcção que seguiu.
Fenomenal, a sua capacidade de integrar o público na sua história e fazer-nos ver exactamente o que ele pretende é impressionante.
Um espectáculo a não perder, de modo algum.

Jim Jeffries "Hammered" - xxxx
Comediante australiano, realiza um stand-up onde transmite o seu desagrado por qualquer tipo de extremismo e crenças. É extremamente forte na sua linguagem e comunicação física. Embora a linguagem não seja das minhas favoritas a sua apresentação está divinal.
Excelente show a não perder.

Slap, Tickle and Squeak - xx
Utilizaram jogos de improvisação básicos e transformaram num espectáculo. Os actores não eram grande coisa e nem os seus próprios truques. Podiam ter feito algo mais interessante, mas não conseguiram. Não é um espectáculo que queira voltar a ver.

Russell Kane “Gaping flaws” – xxxx
Jovem comediante e hiperactivo em palco. Durante o seu espectáculo não parava um minuto exigindo a nossa atenção. O seu material não era mau, falando da sua relação com o seu pai, um homem extremamente racista e insensível. O seu Stand-up era fluido, embora rápido. A ideia do powerpoint humano é divinal.

Clever Peter – xxxx
Sketch show muito bem escrito, muito bem representado, simples mas muito divertido. Quando nos parece seguir um caminho de piadas mais inteligentes, aparece um gorila e viola alguém, simplesmente divinal. Digo apenas que quem gosta de Sketch’s deveria ver este espectáculo.
The Aluminum show – xx
Neste espectáculo o alumínio era obviamente o material principal, era extremamente visual, tudo para nos impressionar. Mas a nível de show, tenho que dizer que foi um pouco decepcionante. Uma grande produção, tudo muito bonito e cintilante, mas no fundo sem nada de concreto, a tentativa de interacção com o público não faz sentido (lançam uns tubos, de alumínio, para cima de nós que sobe e desce o publico, mais nada). Faz lembrar aqueles espectáculos para crianças onde tudo é grande e brilha, logo é muito bonito. Só posso dizer que em termos de espectáculo não é o meu género, mas funciona para as grandes massas.

The Reception – xxx
A história de duas secretárias com carácteres muito diferente, uma quer ser actriz e a outra é uma pessoa zangada com a vida. É uma estranha combinação, mas combina, pois elas são excepcionais e funcionam muito bem juntas. Embora ache que o espectáculo ainda possa ser aperfeiçoado, elas estão no bom caminho. Sketch pouco comuns, mas bastantes divertidos.

Not everything is significant – xxxxx
Ben Moor conta a história de um biógrafo que encontra a sua própria agenda, do ano seguinte, já preenchida por ele mesmo. Deve ele seguir o seu destino ou lutar contra ele? Questões sobre a sua própria identidade e sobre o destino. Este é o argumento realizado pelo próprio neste monólogo alegre e ao mesmo tempo inquietante. Muito bem representado e penso que é um dos melhores espectáculos deste ano.
I caught crabs in Walberswick – xx
A história de três adolescentes inconsciente e pais ausentes. Tudo se passa neste local de férias onde uma jovem encontra estes dois rapazes e decidem ir a Londres para a noite, todos são menores de idade e acabam por se meter em situações pouco agradáveis. Muito bem executado, embora sinta a falta de realidade e de sinceridade.

Sarah Millican’s “Not nice” – xxxx
Esta comediante mas através do título eliminou logo qualquer hipótese de parecer simpática, como ela própria diz “I’m a bit of a cow”. O seu material é bastante forte mas nada ordinário. Uma excelente comediante com um futuro promissor. Não dá para perder.
Sideshow: The Weirdest Show on Earth - x
Um espectáculo de cabaret bastante mau…Escolheram muito mal os actos e somente dois, de seis, é que eram bastante bons. O apresentador não consegue criar empatia, ou qualquer outro tipo de ligação, para com o público o que não é bom. Este não é um cabaret que aconselhe a ver.
The Two Episodes of Mash – xx
Um espectáculo de sketch comedy, onde os actores são bastantes bons, mas a escrita não é grande coisa, como se num dia tivessem atirado para o palco qualquer ideia que lhes passasse pela cabeça. Algumas partes do texto funcionam muito bem, mas noutras os próprios actores parecem aborrecidos com o que estão a fazer. É uma pena os artistas não terem trabalhado mais, pois com as boas ideias que tinham poderiam ter desenvolvido muito mais.
Sammy J. “In the Forrest of Dreams” – xxxxx
O comediante Sammy J. cria com um famoso criador de fantoches, Heat Mclvor, e criam uma aventura na mágica floresta, cheio de fantoches e música. Pode-se dizer que é uma comédia musical, com fantoches, mas para adultos. Está muito bem feita, os personagens criados são fantásticos, esta fábula para adultos é de uma imensa criatividade. É bem provável que vocês nunca tenham visto nada assim na vossa vida, por isso se alguma vez cruzarem com este artista não percam.

You don’t need to know that – xxx
Uma boa maneira de passar uma hora, com três óptimos actores que apresentam uma divertida e muito bem escrita peça de teatro. A história de um homem que é acusado e enfrenta o seu julgamento, mas não consegue perceber do que é que está a ser acusado e acredita na sua inocência, tentando lutar contra o sistema, que está corrompido, para evitar a sua execução. Baseado num dos contos de Kafka “O processo”.
Simply Fancy “Pig Island” – xxx
Uma fantasia surreal onde dois adolescentes telepáticos e o pai, embarcam numa aventura para as florestas obscuras, em busca de…um ananás, uma goiaba e um kiwi para o aniversário da avó. Provavelmente uma peça de culto, nem todas as pessoas gostam, até eu ainda não sei. Posso dizer que eles tinham coisas muito interessantes, mas acho que outras, se fossem feitas de forma diferente, teria sido um show melhor.

La Clique – xxxxx
Isto sim é um Cabaret…Uma experiência e ambiente único que o La Clique criou dentro da Spiegeltent. Uma mistura de números tradicionais e estilo burlesco/vaudeville. Os vários artistas apresentados são escolhidos a dedo, com estrema qualidade e com espectáculos muito sólidos, que vêm de toda a parte do mundo. Os críticos indicam como um espectáculo hilariante, perigoso, exótico, erótico, fantástico e inesquecível…O melhor do melhor. Eu concordo com estas palavras e faço-as minhas. São duas horas de entretenimento muito bem passadas.

Idiots os Ants – xxx
Espectáculo de sketch comedy divertido. Os Artistas são consistentes, são todos actores incríveis e mostram o seu entusiasmo em cada sketch que realizam. Mas a escrita ás vezes decepciona, com sketches que perdem ritmo. Precisam somente de melhorar a escrita para serem excepcionais, senão serão bons actores com uma escrita medíocre.

Scott Capurro “Goes Deeper” – xxxxx
Este artista leva as pessoas a retirarem-se do seu espectáculo, pois é muito ofensivo, nada promíscuo, egoísta e não deve ser levado a sério. Tudo é um jogo, embora penso que exista alguma verdade sobre a sua vida neste espectáculo. Não é um espectáculo para toda a gente, isto sim é humor negro bem feito, adorei.

Pete Firman “Filmflam” – xxxx
Mágico cómico com um espectáculo com truques antigos, mas a sua capacidade de criar entretenimento à volta do truque é fantástico. Deixa de ter importância se o truque é único ou extremamente difícil. Pete apresentou uma hora de puro entretenimento e diversão, vale a pena ver.

Louis C.K. – xxxx
Um comediante americano que questiona os aspectos do quotidiano, com alguma maldade, até chegar ao ridículo. É um espectáculo bem preparado, sem espaço para algo fora do texto. O seu material é óptimo, logo não sentimos a falta das distracções que costumam acontecer, neste tipo de espectáculo.

Adam, Jason & friends – xxxx
Estes dois comediantes, Adams Hills e Jason Byrne, realizam uma noite onde apresentam artistas de todo o mundo. É extremamente divertido, vale a pena, pois juntos a gargalhada é enorme.

Watson and Oliver - xxxx
Duas comediantes realizam um espectáculo de sketch comedy, muito bem escrito, simples e muito bem representado. Elas são excelentes, a química entre elas é fabulosa. Elas concluem o espectáculo com um dos mais engraçados e bem feitos que alguma vez vi. Um filme de james Bond em poucos minutos, um excelente ponto de vista e uma corrida de carro completamente absurda. Um show espectacular.

Penny Dreadfuls “Aeneas Favershaw Forever” – xxxx
Uma excelente peça Vitoriana, é muito bem representada, brilhantemente escrita e encenada. Vale mesmo a pena.

Daniel Kitson “66ª Church Road” – xxxxx +
Daniel Kitson é um mestre em contra histórias e em stand-up. Desta vez a história que nos trás é as memórias, guardadas nas suas malas, sobre a sua mais longa relação, com o seu apartamento neste endereço, que acaba em separação. O seu material é impecavelmente apresentado, com a ajuda uma gravação que preenche os espaços da sua vida no apartamento e na sua cabeça. Um espectáculo, como sempre, fantástico, muito poético. Provavelmente o meu preferido este ano.

The Angel and the Woodcutter – xxxx
Teatro físico coreano. Reconta um conto coreano e cria uma realidade mágica em palco. Um espectáculo para todas as idades, um pouco sentimental, mas um óptimo exemplo de uma abordagem contemporânea adaptada directamente a um conto. É impressionante como se consegue transmitir todas as emoções e vivencias somente com o nosso corpo e expressão facial. Vale mesmo a pena, quem sabe um dia apareça em Portugal.

The Factory
– xxx
Teatro físico e multimédia. Uma fusão entre teatro físico e multimédia, com um ponto de vista sobre o consumismo actual. Infelizmente acho é demasiado lento e um pouco pomposo. Ao contrário do que vários artistas em Portugal dizem o uso de multimédia não é somente a projecção de um vídeo, ai é somente um media a ser utilizado.
Barry and Stuart “Part Time Warlocks”– xx
Um espectáculo de magia, eficaz e divertido. Penso que a dinâmica entre eles os dois é boa, mas precisa ser mais explorada de modo a melhorarem também as abordagens aos truques que realizam durante o show. Infelizmente acho que a execução dos truques é muito fraco.
Alpha Males – xxx
Adam Richies recria vários personagens considerados alpha males. Vê-se que ele tem bastante talento, mesmo que a escrita não seja das melhores, pois nem o acidente que teve no inicio do festival, não o conseguiu parar (em palco caiu e partiu a perna e teve que ser retirado pelos paramédicos), o espectáculo continua com ele de muletas ou cadeira de rodas, criando piadas sobre a sua incapacidade. Foi bastante divertido.

Jason Byrne “Cats Under Mats Having Chats With Bats”- xxxxx +
Fantástico, fabuloso e impressionante.
Este comediante irlandês, que fala extremamente rápido e ataca qualquer um no seu público, é um mestre na improvisação. Não luta contra o sistema, a sua luta é com as frustrações diárias.
Neste espectáculo não só fala da relação/diferenças entre ele e o seu filho de 8 anos, como também da sua relação íntima com a mulher.
Jason byrne invade o palco com uma forte energia e através do seu material parvo e imaturo, carregado de maldade criar dores de barriga de tanto nos rirmos. Mostra um grande ressentimento pelo facto de que não pode mais fazer o que lhe apetece.
Sem sombras de dúvidas, para mim, é o melhor comediante em stand up.

Glenn Wool “Goodbye Scars” – xxxx
Glenn fala do seu recente divórcio e das suas feridas, onde iniciou o conceito deste espectáculo. Tem um número provocador e toca em pontos sensíveis, tais como os extremistas do islão, mas de uma forma tão leve que parece estar sempre a brincar.
Um comediante bem sucedido e muito divertido. Vale a pena ver.

The Improverts –xx
Sketchs expontâneos com 5 estudantes que criaram um espectáculo de improvisação, onde cada acto é sugerido pelo público.
Através da iluminação e da sincronização com a música, animam o público e no final até podem participar do espectáculo, em palco.
Através de simples jogos de improvisação criam um espectáculo diferente e divertido, todas as noites.

Isy Suttie “The Suttie Show”
– xxx
Isy suttee fala sobre os sonhos que temos em criança desaparecerem quando crescemos. Fragmenta a hora numa série de personagens e interesses variados. Um showcase dos seus talentos musicais e a versatilidade de prenuncias, são divertidos. Acho que o show seria melhor se ela explorasse mais a infância, em vez de de a usar como ponte dos seus personagens.
É um bom espectáculo, embora desiluda um pouco devido às suas promessas iniciais.

Amsterdam Underground Comedy Collective Presents Hans Teeuwen And Micha Wertheim – xxxx
Eu vi o micha Werthein a apresentar, foi bastante divertido. Estes holandeses, os sobreviventes do aborto, fala das diferenças culturais entre o seu pais e resto do mundo. Micha realiza o seu espectáculo como se estivesse num sonho, saindo do frigorifico, sem calças. Terminando da mesma forma com o alarme a tocar. A sua comédia é muito divertida e bastante agressiva. Bastante humor negro no seu número. Vale a pena ver.

Henry Rollins – xxxx
O espectáculo Spoken word de Henry Rollins, foi uma hora e um quarto bastante cativante. Em primeiro lugar fez questão de nos mostrar a sua maneira de ver o mundo e contou-nos algumas histórias. Ele é bastante político e neste espectáculo pretendeu mostrar-nos de que existe mais para além da aparência. Temos de deixar de ser cínicos e ver além do nosso próprio umbigo, especialmente pessoas que estão no poder, ele mostra seu ódio por pessoas falsas e superficiais através das suas aventuras nos últimos anos por países considerados maus (Síria, Irão, Islão, etc.…).
O show foi muito bom, pena que nem toda a gente que estava a assistir o espectáculo percebeu que ele detesta gente como eles.